A Nona Arte

Incluídos no manifesto do intelectual italiano Riccioto Canudo como a Nona Arte, os quadrinhos seguiram caminhos diferentes em cada país durante seu desenvolvimento até alcançar o estágio atual.

O Japão foi um dos primeiros a ter manifestações de histórias sequenciais do mundo. Os primeiros quadrinhos japoneses datam do século XI e eram caricaturas cômicas de animais chamadas “chôjûngiga”. Em 1814, 600 anos depois, o pintor Katsuhika Hokusai lançou o primeiro encadernado contendo uma coleção de histórias com desenhos sequências batizado de “Hokusai Mangá”. A partir daí as HQs produzidas no arquipélago passaram a ser chamadas de “mangás”, no entanto, essa denominação só seria consolidada no Japão pós-Segunda Guerra, já nos anos 1950, com as obras de Osamu Tezuka. E foi exatamente com Tezuka, considerado o Pai dos Mangás, que a indústria de quadrinhos ganhou força no País.

Na Europa, foi o suíço Rodolphe Töpffer o grande vanguardista da arte sequencial em quadrinhos. O professor de literatura teve suas tiras publicadas em jornais europeus em meados da década de 1830. Praticamente 100 anos depois, em 1929, com o lançamento de As Aventuras de Tintim, criadas pelo belga Georges Remi sob o pseudônimo Hergé, as HQs se tornaram populares na Europa. Para se ter uma ideia, Tintim foi traduzido para mais de 70 línguas, ganhou série animada na TV e recentemente reuniu Steven Spielberg (Indiana Jones) e Peter Jackson (O Senhor dos Aneis) para transpor suas aventuras para os cinemas em uma superprodução em computação gráfica.

Os famosos “comics” americanos, por sua vez, viriam efetivamente florescer no começo do século XX. Foi no final dos anos 1930 que os grandes super-heróis surgiram. Foi com as aventuras do Superman (1938), Batman (1939), Capitão América (1940), o Fantasma (1936), Namor – O Príncipe Submarino (1939), Tocha Humana (1939), Capitão Marvel (1939) e tantos outros que os quadrinhos se solidificaram nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Os comics substituíram as revistas “pulp” do começo do século XX, que traziam histórias detetivescas, aventuras e de ficção científica (o Zorro, John Carter e Tarzan, por exemplo, surgiram nessas publicações). As revistas em quadrinhos americanas de super-heróis dos anos 30 também começaram a sobressair às tiras de ficção científica como Flash Gordon e Buck Rogers.

Assim como nos Estados Unidos e na Europa, o mercado de quadrinhos no Brasil teve início nos anos 1930 com o lançamento da histórica revista Gibi. O sucesso da publicação foi tamanho que seu nome tornou-se sinônimo de revista em quadrinhos no País. Em suas páginas passaram grandes personagens das HQs como Brucutu, Família Buscapé, Dick Tracy e até mesmo heróis da Marvel e da DC Comics. Além da Gibi, as revistas do Pato Donald e da dupla de esquilos Tico e Teco foram fundamentais para a massificação dos quadrinhos no Brasil.

Entre os autores nacionais destacam-se Mauricio de Sousa (Turma da Mônica), Ziraldo (Menino Maluquinho), Daniel Azulay (Turma do Lambe-Lambe), Gedeone Malagola (Capitão 7), Fábio Moon e Gabriel Bá (10 Pãezinhos) e a trupe de O Pasquim – Laerte, Clauco, Angeli e Henfil entre outros.